
O Brasil vem passando por uma crise como há muito tempo não se via. Medidas do governo relacionadas às diversas formas de tributação vigentes elevaram o custo de vida do brasileiro e tornaram a vida mais complicada. Sucessivos aumentos na conta de luz e nas tarifas recentes aplicadas a essas contas – as temidas “bandeiras tarifárias” – fizeram o valor pago mensalmente pelas famílias quase dobrarem, mesmo com o consumo de energia continuando como nos meses anteriores. Estas altas também foram sentidas nas empresas, cuja contas, que já ultrapassavam as dezenas de milhares de reais, também praticamente dobraram. Empresas menores são as principais impactadas, sendo que muitas já diminuíram o ritmo de produção para tentar consumir menos energia; algumas fizeram cortes nas folhas de pagamento (sim, demissões). Outras menos preparadas, infelizmente, fecharam.
Mas não foi só a luz que sofreu esse aumento: os combustíveis também sofreram reajustes (repare no plural) este ano e isso encareceu muito o transporte de produtos pelo país. Se lembrarmos de que o transporte rodoviário é a principal forma de fazer a produção sair do campo e das indústrias e chegar aos mercados e à casa das famílias, perceberemos facilmente que todos os trechos desse trajeto ficaram mais caros. Com isso, os produtos ficam mais caros, já que os comerciantes repassarão automaticamente o investimento a mais para o consumidor, que está sempre na ponta fraca da corda. Mas também a indústria sofreu os abalos destes aumentos pois, se os preços todos sobem, a população consome menos. E se consome menos, a indústria se vê obrigada a produzir menos. E menor produção significa menos paletes sendo usados nos galpões e armazenagem.
Um termômetro e tanto
Paletes hoje em dia são usados em quase todos os setores de produção e comércio de mercadorias. As indústrias fazem grande uso deste dispositivo para o transporte de mais unidades de seus produtos de cada vez (por exemplo, fábricas de DVDs podem transportar centenas de unidades de uma só vez em cada palete, agilizando o processo de armazenagem e distribuição dos mesmos entre os pontos de venda).
Casas de produtos agropecuários também se valem muito desta ferramenta. Como é um tipo de comércio onde se compra e se vende uma grande quantidade de produtos de uma vez só – por exemplo, grandes quantidades de adubos e fertilizantes -, é conveniente que estejam sempre prontos no estoque já sobre os paletes para que o transporte seja ágil, o que beneficia tanto quem comprou quanto o vendedor. Afinal, tempo é dinheiro, e o dinheiro anda meio escasso esses dias…
Mercados, mais especialmente super e hipermercados, também se valem dos paletes para o recebimento, armazenagem e despacho de produtos em seus depósitos. Especialmente neste caso, em que há grande tráfego de produtos diferentes e encarregados, o uso de paletes nestes arranjos é de suma importância para agilizar ao máximo o tráfego de caixas, embalagens e outros materiais.
E quando a economia vai mal…
… a demanda por paletes diminui. Em geral, estes objetos têm vida útil bastante longa, tanto os de madeira quanto os de plástico. Mas como ocasionalmente precisam ser substituídos – ou quando a produção cresce e precisa-se de novas unidades para o armazenamento dar conta da produção aumentada, as indústrias de paletes recebem pedidos de novas unidades. Em tempos de economia em crescimento, isso é certo.
Porém, com a crise atual, o mercado de paletes sofreu queda. A indústria está produzindo menos e, por isso, demanda menos matéria-prima (que também chega em paletes). A indústria de matéria-prima também se vê obrigada a frear a produção e recebe menos pedidos. O mercado de grande movimentação como as citadas casas de produtos agropecuários fica mais cauteloso e também pisa no freio – mais leve do que o comércio de produtos como automóveis e eletrodomésticos, mas freia. No fim das contas, o comércio de paletes acaba freando também. E se ele freia, os produtores de madeira também vendem menos – pelo menos para este mercado.
Por isso, o produtor de paletes acaba sendo um bom termômetro da economia: se a produção está alta, ela reflete o aquecimento da economia. E, se a economia vai mal… a produção cai junto.