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Seleção natural vai longe…

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Seleção natural vai longe…

Não estamos vivendo a era da saúde. Para qualquer lado que olhamos, tem pessoas com alguma doença crônica. Por exemplo, o número de hipertensos no Brasil cresce a cada ano – e muitos deles desenvolveram a doença por motivos genéticos, ou seja, já traziam a doença em seu código genético (mas que isso não sirva de desculpa para abusar do sal, hein?). O número de diabéticos também tem aumentado bastante, tanto por hábitos errados de vida quanto pelos fatores genéticos. O mal de Alzheimer, de características principalmente genéticas, também chegou para ficar, às vezes se manifestando em pessoas mais novas.

Essas e tantas outras doenças crônicas ocorrem em uma parcela já tão farta da população que é difícil encontrar alguém que não tenha o item “despesas de farmácia” prevista em sua planilha do orçamento doméstico. A cada mês, milhares, milhões de brasileiros recorrem à consulta de preços de medicamentos para tentar cuidar ao mesmo tempo da saúde do corpo e da saúde do bolso – especialmente nos tempos atuais, em que impostos e taxas têm subido vertiginosamente sob a tutela do governo.

Espalhando a semente

Dor não era uma opção que aqueles caras tinham naquela época.Imagine como devia ser viver naquela época em que casas eram cavernas nas rochas? Não existia remédio pra dor de cabeça, dentista pra dor de dente, cardiologista pra conter uma arritmia. Não… por muitos milhares de anos, os seres humanos só tinham duas opções: ter uma saúde de ferro ou morrer de alguma doença, de uma simples gripe até uma deformidade inexplicável. A seleção natural atuava plenamente, permitindo apenas que os indivíduos mais fortes sobrevivessem e se multiplicassem. E assim foi, até que alguns desses indivíduos, por meio de experimentação e observação, começaram a notar que certas plantas tinham uma capacidade curativa que parecia funcionar sempre. Através de experimentações (e devem ter matado um bocado de gente com isso), chegaram à planta necessária, à forma de prepará-la e à quantidade certa.

Assim surgiram os primeiros curandeiros: indivíduos observadores e com grandes conhecimentos sobre ervas, bem como sobre as doenças também. Sabiam tratar feridas de grande extensão, alguns tipos de inflamação e, em alguns casos, as febres. Mas eram tempos em que muitos fenômenos naturais não tinham explicação lógica, então havia espaço para rituais místicos nos procedimentos de cura como danças, uso de fumaça, cânticos, etc..

Surgiram aí duas das funções mais ativas da atualidade: a medicina e a farmacêutica. Médicos cada vez mais especializados em uma das diversas áreas e remédios cada vez mais numerosos, diversificados e eficazes e com menos efeitos colaterais. Quase tudo tem cura – e o que não tem, pode ser controlado. Assim, mesmo pessoas com doenças muito severas têm uma sobrevida maior, muito maior do que naqueles tempos de cavernas e caçadas. Mesmo doentes, conseguem ter filhos – e assim, algumas vezes acabam transmitindo o código da doença que portam. Como já dizia uma conhecida, “a medicina matou a seleção natural”.

Casando saúde com orçamento

Por essa herança de doenças, é muito comum comparar preços de medicamentos.Por isso, não é mais tão incomum vermos pessoas novas comparando preços de medicamentos de ELES precisam para controlar doenças que antes víamos apenas em indivíduos mais velhos. Doenças como hipertensão e diabetes eram quase que consideradas “doenças de velhos” por causa disso, como se fossem um sinal de desgaste de seus organismos. Hoje fica claro que a maioria dos brasileiros está “programado” para adoecer em algum momento de sua vida, inclusive de câncer, mas é necessário que o gatilho seja disparado.

“Gatilho”? Sim, claro! A mera presença do código genético da hipertensão, por exemplo, não significa que aquele individuo irá, obrigatoriamente, se tornar hipertenso. Um estilo mais tranquilo de vida aliado a uma boa alimentação e à prática regular de exercícios é perfeitamente capaz de fazer com que aquela pessoa atravesse toda sua vida sem desenvolver esse problema. Doenças como o câncer também podem estar codificadas em nossos genes e nunca se manifestarem. Lembra-se do caso de Angelina Jolie, que chegou a remover ambos os seios para evitar o câncer de mama? Num exame, médicos verificaram que ela tinha mais de 80% chance de desenvolver a doença, por isso fizeram a remoção. Mas perceba: ela tinha quase 20% de NÃO desenvolver a doença, também. Ou seja, está no código genético, mas não é obrigatório.

Por isso é que os médicos insistem tanto no estilo de vida saudável, do físico ao mental: a chance de não manifestarmos doenças crônicas (que ficam conosco ao longo da vida) e agudas (que vêm em crise) é muito menor assim, mesmo quando herdamos geneticamente a possibilidade de desenvolvê-las. Por isso não dê bobeira: cuide sempre muito bem de sua saúde e evite a fila mensal na farmácia.

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