Home Saúde Reflexos de tempos de inflação

Reflexos de tempos de inflação

0
Reflexos de tempos de inflação

Todo brasileiro que viveu os anos 80 já adulto se lembra bem do que foi aquela década. Uma inflação desgovernada que fazia com que os preços de praticamente tudo o que era comercializado no país fosse remarcado diariamente, e com altas que quase dobravam o valor final. Tudo subiu de uma vez só tornando a vida quase que impraticável. Famílias de pequenas cidades se deslocavam para os grandes centros para fazer as compras do mês nos hipermercados, que ainda conseguiam conter um pouco das altas absurdas – e muitas vezes compensava ir abastecer a despensa em outra cidade!

O custo de vida se elevou tanto que houve quem cometesse suicídio, por puro desespero. Famílias de renda mais baixa precisaram de ajuda de outras famílias para conseguir manter ao menos a alimentação dos filhos. Foram tempos difíceis dos quais ninguém gosta de se lembrar. E atualmente vivemos outra época de crise financeira, que pegou todos os brasileiros de surpresa – e novamente, sobrou para a ponta fraca da corda: as famílias com menores recursos. Mas toda crise traz à tona um talento que nem todo brasileiro usa: pechinchar. As épocas de crise na economia sempre “ensinam” o indivíduo na arte de poupar e de controlar seus gastos mais de perto. Inúmeros brasileiros se tornam mestres em pesquisar preço de medicamentos, de roupas, de alimentos, de combustíveis, de feira… E esse novo hábito, inserido forçosamente, tende a continuar mesmo depois que a crise passa.

Mesmo dinheiro no bolso, menos coisa em casa

A inflação sempre acaba reajustando com todas as nossas despesas.A principal característica da inflação é a redução do poder de compra do consumidor. Seu salário não sofre redução, nem seus benefícios, mas aquele mesmo valor de sempre passa a poder adquirir menos produtos. Se antes o salário abastecia a casa por um mês inteiro numa única compra, agora ele já não consegue mais – e o consumo da família precisa pisar no freio para que os dias finais do mês não fiquem no seco. Menos suco, mais água; menos maçã, mais banana; ao invés de saírem todo fim de semana, melhor uma vez ou duas no mês. E assim por diante.

Numa família comum, realizar essas alterações é desagradável mas não chega a ser um problema em si; com um pouco de esforço, todos se adaptam em alguns dias. Mas naquelas famílias onde a alimentação é regrada, por exemplo, devido a problemas de saúde, essa economia forçada pode representar um sério problema. Famílias com indivíduos que tenham alergia a certos alimentos ou tecidos não podem abrir mão dos produtos mais adequados e que lhes causam menos prejuízos para a saúde – e essas são acertadas em cheio pela inflação. A adaptação usando outro tipo de alimento ou tecido que estejam com preço mais baixo nem sempre é possível, e isso compromete seriamente o orçamento familiar. São necessárias mudanças mais drásticas no sentido de poupar em outras áreas para continuar podendo adquirir os produtos necessários – muitas vezes, atividades de lazer e de saúde são os primeiros a serem cortados.

O surgimento de uma nova habilidade

Sempre tem aquela pessoa que está atenta para os lugares mais econômicos.Mas existem aqueles indivíduos que não toleram essa redução na qualidade de vida (e é exatamente isso) e preferem pesquisar o dobro, o triplo para poder continuar adquirindo o que já está habituado, mas a preços mais baixos. É aí que surgem os pechinchadores. Esses verdadeiros “profissionais domésticos da pesquisa de mercado” sabem exatamente quais mercados e supermercados têm ofertas melhores no setor de hortifrúti, quais têm preços melhores no setor de ensacados e frigorífico, quais farmácias têm melhores preços de medicamentos, qual posto de gasolina está com o preço mais baixo por litro, qual restaurante pratica preços mais competitivos, qual academia de ginástica oferece descontos maiores, etc.

Muitas vezes, estes “pesquisadores” usam a internet como forma de garimpar estes preços todos sem precisar se deslocar pela cidade inteira; porém, este tipo de recurso ainda é mais eficiente nas grandes cidades onde, devido exatamente à extensão da cidade, os comerciantes divulgam seus preços online para facilitar a vida de seus consumidores e atraí-los para seu estabelecimento. Em cidades menores, esta prática não é tão comum – no máximo, um site da empresa informando as marcas e os produtos com os quais trabalham, mas sem detalhar os preços. Nestes casos, não tem outro jeito: é preciso sair de casa e pesquisar pela cidade inteira, mesmo, principalmente nas empresas em que se tem mais hábito de frequentar. Muitas vezes a busca é bem sucedida e o indivíduo consegue encontrar os produtos com os quais já está acostumado a um preço mais interessante. Mas quando não encontra… não tem jeito: melhor pensar bastante antes de adquiri-lo.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here