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Qual o melhor Antidepressivo: Pergunte Aqui

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Recebo muitas perguntas de pacientes que desejam saber “qual o melhor antidepressivo do mercado?” Bem, vamos à uma dessas perguntas:

“Descobri que tenho depressão com ansiedade, e meu psiquiatra me prescreveu um antidepressivo. Ainda não comecei a tomar porque fiquei muito assustado com esse remédio. Muita gente diz que faz mal, vicia, engorda e que é melhor eu deixar isso pra lá. Afinal, qual o melhor antidepressivo do mercado, o que eu faço?” Ângela S. M.

Perguntas como essas são bem comuns.  Afinal, os antidepressivos são medicações indicadas para o tratamento de vários problemas psiquiátricos.

Se você também apresenta dúvidas como a de nossa leitora, leia este post e descubra qual o melhor antidepressivo para você e como conseguir o seu.

O que é um Antidepressivo?

Em primeiro lugar, um alerta: NUNCA USE ANTIDEPRESSIVO SEM PRESCRIÇÃO MÉDICA. Em segundo lugar, vamos a definição:

De antemão, posso dizer que um antidepressivo não é a “pílula da felicidade” como muitos pensam. Na verdade, são medicamentos que agem na psique de um indivíduo, ou seja, serve para controlar certos transtornos psicológicos decorrentes de traumas entre outras.

Em outras palavras, servem para controlar os sintomas de pacientes que apresentam quadros depressivos, além de Síndrome do Pânico, Transtornos de AnsiedadeTOC,  Transtornos Alimentares, Problemas Sexuais, tabagismo, dor crônica, entre muitos outros.

Segundo a OMS, o uso dessa classe de medicações tem crescido no Brasil e no mundo, porque há mais informação a respeito dos adoecimentos psiquiátricos, mas também porque as medicações mais novas são muito seguras e tem poucos efeitos colaterais.

Porém, o uso desenfreado deste tipo de medicação é perigosa e pode até causar dependência, caso o paciente não siga à risca as orientação do profissional habilitado a receitar o medicamento.

Qual o melhor Antidepressivo?

No geral, essa é uma pergunta difícil de responder. Um estudo recenteque avaliou vários outros estudos (mais de 500), incluindo mais de 100 mil pacientes, demonstrou que definir o melhor antidepressivo pode variar de acordo com o quadro de cada paciente e seus sintomas, mas, temos a seguinte lista:

Os antidepressivos mais eficazes são:

  • Agomelatina;
  • Amitriptilina;
  • Escitalopram;
  • Mirtazapina;
  • Paroxetina;
  • Venlafaxina;
  • Vortioxetina.

Na prática, só há como saber se a medicação vai funcionar após o uso por cerca de 2 a 4 semanas. Contudo, o melhor antidepressivo sempre será aquele que amenize  dor do paciente e, consequentemente, lhe cause o mínimo de efeitos colaterais possível.

A maioria dos pacientes (cerca de 66%) tem uma melhora após a primeira tentativa, mas o restante, pode precisar testar 2 ou mais medicamentos para ter um resultado positivo.

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Qual a diferença entre os Antidepressivos?

Os antidepressivos são muito distintos entre si, pois incluem vários grupos de substâncias diferentes. Os que atualmente estão disponíveis no Brasil, incluem os Inibidores de Recaptação de Serotonina (ISRS), os Inibidores de Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (ISRN), Inibidores da Monoaminooxidade (IMAO) os Antidepressivos Tricíclicos, os Tetracícliclos e os “Atípicos”.

Assim, cada uma dessas famílias vai ter um mecanismo de funcionamento e perfil de reações adversas diferentes.

Quais são os Antidepressivos mais usados no Brasil?

Existem diversas medicações antidepressivas no país. Abaixo segue uma lista, separada por classe, incluindo o nome comercial de referência, marcas mais populares e as formulações disponíveis.

Um ponto importante, além de saber qual o melhor antidepressivo para você,  é conhecer qual a diferença entre os medicamentos de referência, os similares e os genéricos.

Esse texto da ANVISA explica bem esses conceitos.

Você pode conferir no portal da ANVISA se a medicação que você procura foi descontinuada no país.

1. Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)

Estão entre as medicações mais utilizadas no nosso meio, pois tem poucos efeitos colaterais graves e boa eficácia.

Fluoxetina

  • Marca Referência: Prozac
  • Outras marcas: Daforin, Verotina, Fluxene
  • Formulações: Cápsula 10 mg; Cápsula 20 mg; Comprimido 20 mg e Solução gotas 20 mg/ml

Paroxetina

  • Marca Referência: Paxil CR
  • Outras marcas: Pondera, Moratus, Paxtrat, Roxetin
  • Formulações: Comprimido 10 mg, 15 mg, 20 mg, 30 mg e 50 mg; Comprimido liberação prolongada 12,5 mg e 25 mg

Sertralina

  • Marca Referência: Zoloft
  • Outras marcas: Assert, Tolrest, Dieloft, Serenatus
  • Formulações: Comprimido 25 mg, 50 mg, 75 mg e 100 mg

Citalopram

  • Marca Referência: Cipramil
  • Outras marcas: Cittá, Denyl, Procimax, Maxapram
  • Formulações: Comprimido 20 mg e 40 mg

Escitalopram

  • Marca Referência: Lexapro
  • Outras marcas: Reconter, Esc, Exodus, Remis, Espran
  • Formulações: Comprimido 10 mg, 15 mg e 20 mg; Solução gotas 20 mg/ml

2. Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (ISRSN)

São medicações mais novas e também muito utilizadas. Conforme os últimos consensos e protocolos, também são consideradas de primeira linha para o tratamento dos quadros depressivos.

Venlafaxina

  • Marca Referência: Effexor XR
  • Outras marcas: Alenthus XR, Venlaxin, Venlift OD, Vensate LP
  • Formulações: Cápsula de liberação prolongada 37,5 mg, 75 mg e 150 mg

Desvenlafaxina

  • Marca Referência: Pristiq
  • Outras marcas: Elifore XR, Andes, Deller, Desve, Imense, Vellana
  • Formulações: Comprimido de liberação prolongada 50 mg e 100 mg

Duloxetina

  • Marca Referência: Cymbalta
  • Outras marcas: Cymbi, Velija, Dep, Deprasil, Dual
  • Formulações: Cápsula de liberação prolongada 30 mg e 60 mg

3. Antidepressivos Tricícliclos (Inibidores não seletivos da recaptação de Monoaminas)

São medicamentos mais antigos, porém ainda muito utilizados. Tem boa eficácia, mas apresentam alguns efeitos colaterais que podem ser graves.

Amitriptilina

  • Marca Referência: Tryptanol
  • Outras marcas: Amytril, Neo – Amitriptilin, Neurotrypt, Protanol
  • Formulações: Comprimido 25 mg e 75 mg

Nortriptilina

  • Marca Referência: Pamelor
  • Outras marcas: Genérico
  • Formulações: Cápsula 10 mg, 25 mg, 50 mg, e 75 mg

Clomipramina

  • Marca Referência: Anafranil
  • Outras marcas: Clo, Clomipran, Fenatil
  • Formulações: Drágea 10 mg e 25 mg;  Comprimido de liberação prolongada 75 mg

4. Antidepressivos Tetracíclicos

São muito semelhantes aos antidepressivos tricíclicos, que no geral, não são utilizados como medicação de primeira escolha. No Brasil, a Mirtazapina é a única medicação desse grupo utilizada.

Mirtazapina

  • Marca Referência: Remeron Soltab
  • Outras marcas: Razapina e Menelat
  • Formulações: Comprimido orodispersível de 15 mg, 30 mg e 45 mg; Comprimido de 15 mg, 30 mg e 45 mg

5. Antidepressivos Atípicos

São medicações que não se encaixam bem em nenhum dos grupos anteriores. Temos dois fármacos muito utilizados dessa classe no país, a Bupropiona e a Trazodona.

Bupropiona

  • Marca Referência: Zyban e Wellbutrin XL
  • Outras marcas: Zetron XL, Bupium, Bup
  • Formulações: Comprimido de liberação prolongada 150 mg e 300 mg.

Trazodona

  • Marca Referência: Donaren
  • Outras marcas: Loredon e Tradep
  • Formulações: Comprimido de 50 mg e 100 mg; Comprimido de liberação prolongada de 150 mg

Antidepressivo vicia? Causa dependência?

Mito. Esses fármacos não causam dependência física ou psíquica. Diferente dos hipnóticos, especialmente das medicações da classe dos benzodiazepínicos (AlprazolamBromazepamClonazepamDiazepamCloxazolam, etc), que podem sim causar dependência física e psíquica importantes, sobretudo no uso continuado e superior a 3 meses.

Vale lembrar que, ao retirar a medicação de forma abrupta, sem orientação médica, dependendo do tipo de antidepressivo, pode ocorrer a chamada síndrome de retirada ou de privação.

Essa síndrome pode incluir sintomas como fadiga, mal-estar, tonturas, taquicardia, dormência e alterações no sono.

Esses sintomas em geral são leves e autolimitados e costumam ter resolução com a reintrodução da medicação e retirada mais gradual.

Outro ponto importante é que caso o tratamento seja interrompido de forma muito prematura os sintomas podem reaparecer.

Ou seja, caso a recomendação médica não seja seguida de forma adequada, você pode voltar a ter os mesmos problemas anteriores, algumas semanas a meses após parar com a medicação.

O tratamento precisa ser realizado de forma adequada e por um tempo mínimo.

Antidepressivo engorda?

Em parte, sim. Como citei anteriormente, os antidepressivos são um grupo heterogêneo de substâncias, pertencendo a várias classes distintas.

Algumas dessas medicações podem causar ganho de peso, enquanto outras não.

Especificamente, a Bupropiona pode inclusive auxiliar na redução de apetite e emagrecimento.

Antidepressivo da sono? Deixa “grogue”?

Parcialmente verdadeiro. A maioria dessas medicações não causa sonolência nem letargia. Entretanto, algumas podem causar um pouco de sedação.

Esse efeito pode ser positivo, caso você esteja com insônia. Outras pelo contrário, podem ter um efeito estimulante e prejudicar o sono.

Antidepressivo “brocha”? Diminui a libido?

Em parte, verdadeiro. Vai depender muito da medicação específica. Muitos antidepressivos podem causar sim algum tipo de efeito sexual.

Nem sempre o efeito é de “brochar”, mas muitas vezes, de retardar a ejaculação. Tanto que essas medicações podem ser indicadas para tratamento de ejaculação precoce.

Em alguns casos pode haver anorgasmia (incapacidade de chegar ao orgasmo) e/ou a disfunção erétil (impotência).

O prejuízo na libido e anorgasmia pode acontecer tanto em homens como em mulheres. Mas vale lembrar que é um efeito transitório, ou seja, quando a medicação é interrompida, o funcionamento sexual volta ao que era anteriormente.

O contrário também pode acontecer. Alguns antidepressivos podem aumentar a libido e o desejo sexual, como a Bupropiona e a Trazodona.

Isso é “remédio de doido”? Vou ficar “doido” se tomar?

Mito. Infelizmente a saúde mental ainda sofre de muito preconceito e estigma. Essas medicações não causam alteração no sentido de realidade e nem no juízo crítico.

O efeito positivo está relacionado ao humor, diminuindo as emoções negativas, aumentando a capacidade de tomar decisões sensatas e possibilitando a retomada de uma vida funcional, satisfatória e plena.

Espero ter ajudado a sanar as dúvidas mais comuns a respeito dessas medicações!

Referências Bibliográficas:

Cipriani, A., Furukawa, T. A., Salanti, G., Chaimani, A., Atkinson, L. Z., Ogawa, Y., … Geddes, J. R. (2018). Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet, 391(10128), 1357–1366. doi:10.1016/s0140-6736(17)32802-7

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