
Quando temos a saúde perfeita, não costumamos nos preocupar com coisas corriqueiras como caminhar, varrer, nos vestir ou mesmo brincar com os filhos. Mal paramos para pensar na infindável variedade de movimentos que fazemos o dia todo para cumprir nossos afazeres, praticar atividades prazerosas ou mesmo realizar movimentos súbitos como abaixar para pegar uma moeda que rolou para debaixo da cama. Entretanto, para muitas pessoas, qualquer um destes simples movimentos que executamos sem nos darmos conta de sua complexidade é um desafio – e, às vezes, uma impossibilidade.
E se engana se pensa que estas pessoas são aquelas que se acidentam gravemente, ou sofrem de doenças degenerativas. Na verdade, problemas aparentemente menos graves e de menor monta têm poder para incapacitar um indivíduo para vários movimentos e exercícios comuns. São problemas como a condromalácia (desgaste de uma das cartilagens do joelho), a artrite (inflamação da articulação), artrose (desgaste de cartilagens, ligamentos e líquidos sinoviais das articulações) entre outros problemas.
Pessoas com estas condições em geral apresentam grandes dificuldades para executar movimentos muito simples, inclusive pegar uma caneta e escrever uma pequena palavra, devido ao quadro de dor e à dificuldade de movimentar a articulação afetada. A fisioterapia é uma grande aliada no tratamento destes quadros, mas o pilates também atua de maneira importante ao longo do tratamento.
Força e elasticidade

O pilates não costuma ser usado como tratamento principal nestes tipos de enfermidades, já que ele tem um foco mais globalizado sobre o corpo do indivíduo como uma unidade que necessita de equilíbrio. Por isso, a fisioterapia costuma ser uma das primeiras medidas terapêuticas para frear o avanço da doença e revertê-la ao máximo (descartaremos as cirurgias), além de medicamentos condroprotetores e anti-inflamatórios.
Entretanto, após obter uma melhoria importante, é comum que o médico libere o paciente para a prática de uma atividade física mais ampla, e frequentemente o pilates é indicado neste momento, por se tratar de atividade sem impacto e realizado com o acompanhamento rígido de um fisioterapeuta.
Especialmente em casos de dificuldade de mobilidade de articulações maiores como joelhos, quadris, cotovelos e ombros, o pilates tem como objetivo restaurar a força muscular que permaneceu em repouso – provavelmente por um logo período – devido à doença sofrida pelo paciente. Esta recuperação precisa ser gradual para que o tratamento realizado anteriormente não seja perdido devido a movimentos feitos de maneira incorreta ou com carga acima da adequada para aquele indivíduo e sua condição. Junto com a recuperação da força muscular, é recuperada também a elasticidade da articulação afetada, trabalhando a amplitude de seus movimentos até que ela se recupere totalmente – ou até o novo limite possível.
Uma vida mais plena
Em muitos dos casos, os indivíduos acometidos por problemas articulares não conseguem se recuperar totalmente. Isso porque desgastes articulares e de cartilagens são especialmente difíceis de recuperar através de métodos conservadores – ou seja, através do uso de medicamentos específicos e tratamentos por fisioterapia e pilates.
Existem as cirurgias reparadoras, mas mesmo este recurso não garante o retorno de 100% da mobilidade original da articulação; ainda, muitas destas cirurgias, especialmente as de colocação de próteses, requerem cirurgias posteriores para reparo e manutenção, e ainda há o risco de rejeição por parte do organismo. Por isso, técnicas como instalação de próteses articulares são sempre o último recurso.
Mas o mais importante é restaurar a qualidade de vida dos pacientes que sofrem de problemas articulares. Estas doenças, além do impacto na mobilidade e nos afazeres cotidianos, implicam também em grande sofrimento psicológico, já que os pacientes, antes ativos, de repente se veem dependentes de outras pessoas para ajudá-los em tarefas que até então eram corriqueiras. Em casos mais graves, é necessário que estas outras pessoas assumam completamente tais funções. Independente da terapêutica, o foco será sempre o bem estar do paciente.