
Você está cursando a graduação? Está na fase final, quando tem que desenvolver e apresentar sua monografia? Ah, então já deve estar se descabelando com as normas ABNT, não é? Provavelmente já xingou um bocado! Afinal, é detalhe demais! Como se concentrar no projeto, que já tem detalhe que chega, e ainda ter que prestar atenção nessas regrinhas sem sentido nenhum??
Calma… a boa notícia é que, pior que isso, não fica. Rsrsrs Brincadeiras à parte, as normas têm uma função especial – e tenho certeza que elas já te ajudaram, inclusive, nas pesquisas que você fez pro seu trabalho! Ao procurar por bibliografia sobre o tema, quando você lia aquela referência com o sobrenome do autor em maiúsculas, depois o nome do livro ou revista (ou artigo, vai saber) em negrito, depois achava facilmente a edição e o ano da publicação… não era super fácil identificar todos os elementos? Pois é. Isso porque as normas PADRONIZAM essas informações rigorosamente; aí nos habituamos logo a lê-las naquele formato e elas passam a fazer sentido pra nós automaticamente. Cada citação contida no trabalho que você pesquisou estará ali e naquele formato, inclusive as citações de citações. “Mas hein??”
Apud: o confronto
“Mas minha Nossa Senhora, e essa agora?? Citação de citação?? Ai, meu santo, eu tô na pior…”. CALMA! Calma que a coisa é tranquila, você vai ver só.
“Citação de citação” é, digamos, uma espécie de fofoca entre cientistas. É o famoso “fulano me falou que cicrano disse pra ele que isso é verdade sim”. É a fala de um terceiro mencionada por um segundo. Complicou? Vamos de outra forma, então. Sabe quando você pega um livro pra usar na sua pesquisa e o autor desse livro cita um outro autor num certo ponto do texto? Se você usar a “fala” desse autor citado no SEU trabalho, pimba! Você acabou de citar uma citação na sua monografia. Olha que legal!
“E isso vale?” Vale sim, desde que usado com moderação. Na verdade, o ideal é você ter acesso a todos os trabalhos que você pesquisou pra fazer o seu, mas às vezes acontece de encontrarmos uma citação num desses trabalhos, essa citação ser excelente mas você não consegue achar o original (ou seja, o livro impresso, ou artigo, revista, etc. em que o trabalho está) de jeito nenhum. Nesses casos – e só nesses casos – usa-se a citação de citação. Ela deixa bastante claro que você não teve acesso ao trabalho completo, mas que achou aquela citação ali pertinente e achou por bem usá-la no seu trabalho. Com isso, assume-se o risco de alguém que tenha acesso ao original conhecer aquele trabalho todo e dizer: “olha… não é bem por aí… o autor disse isso sim, mas no resto do trabalho ele negou tudo”. Sim, existe esse risco. Mas como você não teve acesso ao original, não tinha como saber – logo, é “perdoado” caso isso aconteça.
E como eu digo que citei um citado?
Boa pergunta. Você não pode simplesmente dizer “de acordo com Fulano, mencionado no livro XYZ de Sicrano em seu próprio livro…”. Pelo amor do Criador, não faça uma coisa dessas, a menos que queira provocar um AVC (ou um ataque de risos) no seu orientador! A forma correta é usar uma palavra em latim, a ‘apud’ (pronuncia-se “ápud”, mas tem gente que fala “apúd” e tá tudo certo). Existem duas formas de fazer uma citação de citação: a direta e a indireta. Vamos ver uns exemplos:
Citação direta:
“[…] o viés organicista da burocracia estatal e antiliberalismo da cultura política de 1937, preservado de modo encapuçado na Carta de 1946.” (VIANNA, 1986, p. 172 apud SEGATTO, 1995, p. 214-215).”
Na citação direta, você transcreve literalmente a citação, tal e qual você a encontrou no texto. Não mude nem uma vírgula. Nesse exemplo acima, o livro pesquisado foi de Seagatto – e Seagatto citou uma afirmação de Vianna em seu trabalho. Sacou? Ou seja: Vianna, CITADO EM Seagatto. Fácil, né?
Citação indireta:
“No modelo serial de Gough (1972 apud NARDI, 1993), o ato de ler envolve um processamento serial que começa com uma fixação ocular sobre o texto, prosseguindo da esquerda para a direita de forma linear.”
Aqui não houve transcrição direta mas, sim, uma interpretação do autor sobre as palavras do autor que ele citou.
Reparou uma diferença? Na citação direta, consta o número da página tanto do livro pesquisado quanto do livro que o autor do primeiro pesquisou. Olhe lá. Isso significa que “a frase de Vianna está na página 172 de seu livro, e essa frase foi citada por Seagatto na página 214-215 do livro dele, que foi onde encontrei essa informação”. Não é tranquilo?
Já na citação indireta, isso não é necessário, já que a citação não foi transcrita ipsis literis (ou seja, literalmente).
Quando a gente entende a “mecânica” das normas ABNT, elas vão ficando mais fáceis de usar. Não permita que sua mente crie uma trava contra ela, senão dificulta de vez. Abra sua mente, estudante!