
Imagine a seguinte situação: você está de casamento marcado e a grande data está chegando. Você e seu noivo estão ansiosos pois compraram um imóvel na planta e, segundo a corretora, os apartamentos serão entregues poucas semanas antes do dia do casamento. Confiantes, vocês já vão providenciando tudo para a nova casa: os móveis, os eletrodomésticos, alguns itens de decoração como cortinas e vasos de plantas… Claro que, como o imóvel ainda não foi entregue, não é possível levar tudo isso para lá. Uma das soluções é deixar a compra já realizada e não fazer a retirada e combinar uma data para a entrega de tudo de uma vez só. Mas aí acontece um imprevisto (como tantos nesse setor) e a entrega do imóvel atrasa. A nova data é posterior ao casamento – aliás, posterior até mesmo ao retorno da lua-de-mel! E agora?
Situações como essa infelizmente são muito comuns porque atrasos em obras, no Brasil, é comum demais. Seja por problemas com fornecedores de material de construção ou de acabamento, seja por problemas com a empreiteira ou mesmo com os funcionários da obra, os motivos desses atrasos ocorrerem são muitos. Mas todos têm em comum o desconforto na agenda de quem estava confiante na data inicial. Algumas pessoas mais precavidas já desconfiam desde o início mas a maioria, até mesmo pelo sonho da casa própria, confiam desde o primeiro momento – e quando acontece o primeiro atraso nem se abalam tanto, mas quando vem o segundo… a chateação é enorme. Mas o que fazer se o caso é como o dos noivos? Bom, uma das soluções possíveis é alugar um galpão de um conhecido, ou um guarda-móveis de uma empresa de mudanças (aliás, é até mais seguro). O importante é ter algumas “saídas de emergência” caso problemas assim aconteçam.
Plano de contingência
Toda grande empresa tem uma espécie de manual com guias passo-a-passo de ação caso aconteça um desastre qualquer. Por exemplo: lembra-se daquela plataforma de petróleo da Petrobrás que explodiu e afundou no mar há alguns anos? Quando acontece uma coisa deste porte, se a empresa não tiver um manual desses, ela não sabe nem por onde começar a tratar o problema, porque as cabeças estarão quentes e muito assustadas como fato (além do formigueiro de jornalistas na porta). Por isso, ela desenvolve um manual onde os piores cenários são “ensaiados” e as medidas para solucionar cada um são determinadas com a cabeça fria. Assim, caso alguma daquelas situações aconteça, é só ler o manual e seguir as instruções. As figuras públicas costumam ter manuais assim também – por exemplo, o que um artista X deve fazer caso estoure um escândalo sobre ele envolvendo traição no casamento.
O restante de nós, meros mortais, não precisa ter um manual como esses, mas precisamos ter sempre em vista um plano B, sobretudo quando a situação envolve uma fase de grandes mudanças, como a aquisição da casa própria com data marcada. Devemos ter sempre em mente que atrasos podem ocorrer (e é bem provável que ocorram), e é preciso ter uma saída caso isso aconteça.
Quando se tem um parente com um sítio grande e que possa emprestar um galpão ou quarto vazio para guardarmos nossos móveis lá até que o imóvel seja entregue, e ótimo pois a família costuma ser uma das primeiras a oferecer ajuda nesses casos. Porém, é preciso cautela porque pode ser que o local a ser emprestado não ofereça muita segurança – e aí já viu: alguém pode conseguir entrar ali e furtar algum objeto (ou mais de um). Por isso é que o aluguel de um guarda-móveis costuma ser uma ideia mais adequada, devido à segurança das instalações (chaves múltiplas, câmeras, alarmes, muros, grades, etc.). Faça seu plano de contingência: entre em contato com algumas dessas empresas, explique a situação que pode vir a acontecer e, se eles aceitarem prestar o serviço desta maneira (normalmente só alugam para quem está de mudança com eles), faça um orçamento com cada uma – se possível, por escrito.
E quanto ao imóvel?

Bom, é de praxe haverem cláusulas no contrato que contemplam este tipo de acontecimento – afinal, se informam as penalidades que você vai sofrer caso atrase um pagamento, é justo que constem as penalidades que ELES vão sofrer caso atrasem na entrega do imóvel, não é? Procure no contrato quais atitudes podem ser tomadas nestes casos, o que a empresa propõe, etc. Mas em geral, o que acontece é o seguinte: a empreiteira paga aos proprietários lesados uma multa de 1% a 2% do valor já pago ou do valor assinado em contrato e, caso algum deles esteja morando de aluguel, ela deverá arcar com os meses a mais que eles tiverem que esperar, além de outros encargos decorrentes disso.
Mais ainda: se o proprietário fiar realmente muito frustrado com o atraso – especialmente se o atraso for longo demais -, ele pode até mesmo desistir da compra e pedir o valor investido de volta, com correções. Mas uma coisa é importante: esse atraso deve ser comprovado na justiça e o dano moral e material tem que ficar claro.
Plano B e leitura cuidadosa do contrato: estas são as chaves para você se sair bem de problemas bastante aborrecidos como o atraso da entrega do imóvel!