Muitos alunos de graduação, quando chegam ao final do curso, levam um susto, do tipo “agora é que caiu a ficha”: devem entregar uma monografia para concluir e colar grau. A maioria fica perdida, sem saber nem por onde começar – mas os que encontram maior dificuldade são os estudantes de faculdades particulares já que, em sua maioria, não dão enfoque científico aos seus cursos (ao contrário das universidades federais, que normalmente têm esse enfoque).

De repente, se veem às voltas com todo que diz respeito a ela: “Tema? Normas ABNT? Nem sei o que é isso! Objetivo geral e específico? Formatação? HEEEEELP!!”. E entram em pânico. Alguns cursos permitem que o graduando escolha entre um trabalho ou uma monografia – e normalmente preferem o trabalho – mas não são todos. Ou seja: a maior parte dos alunos vai ter que meter a cara em um trabalho científico, nem que essa seja a única experiência desse tipo em suas vidas. Mas vai ser necessário.

Desmistificando o monstro

A-monografia-documenta-todo-o-trabalho-ou-projeto-voltado-para-uma-linguagem-mais-técnica-e-profissional.Na verdade, a monografia, ainda que tenha esse nome formal, é um trabalho desenvolvido com certo rigor científico, mas não é absolutamente aprofundado. Em geral – e devido ao pouco tempo que os alunos têm para desenvolvê-lo (cerca de 6 meses), elas são uma abordagem sobre um determinado assunto realizada de forma pouco complexa. Por exemplo, é impossível desenvolver um projeto pioneiro com base no genoma humano em 6 meses, mas é possível fazer uma investigação sobre os resultados já encontrados por pesquisadores que trabalham nessa área.

A primeira coisa é definir o tema e, de pois, os objetivos gerais e específicos. Vamos a um exemplo? Um aluno de Comunicação pode escolher o tema “eficiência da propaganda nas rádios”. Como ele não teria tempo para pesquisar as propagandas que passam em todas as rádios, ele terá que definir uma; aí vira “Eficiência das propagandas veiculadas na Rádio X”. Viu como fechamos o leque e tornamos a pesquisa mais direcionada?

Agora vamos para a próxima etapa: definir o objetivo geral – que nesse caso já está explicitado no próprio título: procurar definir o impacto real das propagandas veiculadas na Rádio X, ou seja, se os ouvintes têm suas tomadas de decisão influenciadas por essas propagandas”. Tranquilo até aqui? Então vamos para os objetivos específicos, que nada mais são do que a forma como você vai atingir o objetivo geral. Nesse caso, podem ser: “realizar pesquisas de campo com o auxílio de questionários para identificar os ouvintes da Rádio X; verificar quantos dos pesquisados ouvintes da Rádio X já tomaram decisões baseados nas propagandas que ouviram na citada estação”. Resumindo: o objetivo geral é o que você quer saber e os objetivos específicos são COMO você vai fazer pra descobrir, em poucas palavras. Moleza, não é?

Corpo de delito

O corpo da monografia trará detalhadamente o andamento da sua pesquisa mas, antes disso, você terá que falar sobre os autores que você buscou para basear seu trabalho. Esta é a temida Revisão Bibliográfica. No caso acima, provavelmente serão autores que já fizeram trabalhos, artigos e escreveram livros sobre propagandas de rádio e comportamento do consumidor, mas nada impede que você encontre informações relevantes em outras áreas como psicologia e neurologia. Você pode escolher autores que defendam um ponto de vista com o qual você concorda ou, se for atrevido o bastante, poderá escolher autores que defendem o oposto – e tentar desmenti-lo com o trabalho da SUA monografia. É, haja atrevimento! Mas pode acontecer. Se não for sua onda, escolha o primeiro caso: um autor que defenda um ponto de vista que você já tenha. É mais fácil. 😉

Mergulhe-em-pesquisas-para-fazer-da-sua-documentação-um-bom-trabalho.Agora sim! Hora de falar do seu trabalho. O que você usou para levantar as informações que usou no desenvolvimento? Fez pesquisa bibliográfica? Aplicou questionários na rua? Como você definiu o público a ser pesquisado? Como definiu quantos entrevistados seriam necessários? Usou programas de análise estatística? Você fez “laboratório”? (ou seja, fez os entrevistados vivenciarem algo na prática e coletou suas percepções depois)? Tudo isso vai ter que ser relatado em detalhes nesta parte da sua monografia. Esta é o Desenvolvimento.

A parte chamada Conclusão é a sua conclusão final sobre o trabalho. Você atingiu seu objetivo geral? O que concluiu? Neste nosso exemplo: as propagandas são eficientes e influenciam as decisões dos consumidores que ouvem a Rádio X ou não? Por que? Ah, você não atingiu o objetivo principal? Por que? Qual foi o erro?

E depois de tudo isso, lá vêm as bibliografias que você usou. É aqui que as normas ABNT mais pegam porque cada tipo de material tem uma forma correta para ser mencionada (se era um artigo científico, se ele foi apresentado em congresso ou se estava só numa revista científica, se foi um file, se foi um documentário, se foi um artigo de jornal, se foi um livro único, se foi um livro de uma série…). É muito detalhado – e meio chato, mesmo, mas é possível fazer do jeito certo e não mata ninguém. Eu acho. rsrs

Mas isso fica pra outro dia…