O alumínio é um material que, apesar de conter características tidas como modernas, é utilizado desde a Grécia antiga – apesar dos gregos não conseguirem obtê-lo tão puro como hoje. Na verdade, isso só foi possível lá pelos anos 1800. Mas o que importa é que hoje temos este elemento à nossa disposição em uma série de usos, desde domésticos a industriais e medicinais.

A indústria automobilística já faz uso do alumínio há um bom tempo, usando-o em ligas metálicas (ou seja, quando se mistura um metal a outro) para que a lataria dos carros se torne mais resistente e, ao mesmo tempo, mais leve (o que diminui o consumo de combustível). Em muitas casas, nota-se o uso de panelas de alumínio, resistentes e com grande condutibilidade de calor – quantos de nós já não deixaram alguma comida queimar porque esqueceram que panela de alumínio se aquece mais rápido? E também a arquitetura faz uso desse metal, principalmente no uso de esquadrias de alumínio em armários de cozinha, banheiro e porta balcão, por sua praticidade e leveza. É… o alumínio está em todo lugar!

Pau pra toda obra

O alumínio é uma das matérias-primas favoritas de vários setores por causa da facilidade em manuseá-lo, moldá-lo, etc.. Sua temperatura de fusão é baixa (ou seja, com pouco calor você já consegue transformá-lo), é bom condutor elétrico e térmico, muito maleável (aceita dobras, ranhuras, torções, recortes numa boa), não é magnético quando em estado puro nem cria faíscas quando colocado em atrito com outro metal.

Em casos em que a grande maleabilidade do alumínio não é boa ideia (por exemplo, em mosquetões de escalada, que devem ser de extrema resistência e dureza), usa-se o alumínio em uma liga conhecida como “zicral” composta por alumínio (maior parte), zinco, magnésio e cobre (em partes menores). Esta liga tem a leveza conferida pelo alumínio e a resistência mecânica, elástica e térmica garantidas pelos outros elementos.

Porta-balcão.Já na produção de peças como portas balcão (aquelas muito utilizadas em sacadas de apartamentos), a maleabilidade deste elemento é adequada no momento da fabricação, para que se consiga o acabamento desejado. A gosto do comprador, essas peças podem receber pinturas e acabamentos anodizados, ou seja, criar propositalmente uma camada de óxido sobre a superfície do alumínio modificando sua cor de acordo com o procedimento utilizado.

A indústria farmacêutica também faz uso do alumínio. Soa estranho, não é? Mas basta conferir a formulação de algumas medicações como colírios, antiácidos e antitranspirantes, que possuem alguma forma do elemento em sua composição.

Problemas? Alguns…

Com tantas aplicações, não é estranho pensar que, eventualmente, o alumínio possa se tornar vilão em algumas situações, a começar por sua obtenção.

O-alumínio-passa-por-um-trabalhoso-processo-antes-de-ficar-pronto-para-sua-casa.Retirar o alumínio da natureza é complicado. É um dos minerais em maior abundância na crosta terrestre mas também é um dos mais enjoados para se obter. Começa pela extração da bauxita através do processo conhecido da mineração. Como o Brasil tem uma das maiores reservas e o preço do alumínio é muito estável, a produção nunca perde o ritmo – isso significa que aquele cenário horroroso de montanhas e vales destruídos pela mineração tendem a aumentar cada vez mais, já que esse elemento é sempre visado pelo mercado. Porém, empresas comprometidas com o meio ambiente desenvolvem trabalhos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas paralelamente à mineração.

Após a extração, vem a fase da refinaria, onde o óxido de alumínio (ainda chamado de alumina) é removido da bauxita em que está “diluído” através de processos específicos de filtração. Ao final do processo, a alumina surge como um pó branco. Esse pó é, então, levado à etapa seguinte chamada de redução: através da eletrólise, o oxigênio vai pra um lado (na verdade, é transformado em dióxido de carbono devido a algumas reações e se evapora) e o alumínio – agora puro – decanta no fundo da célula eletrolítica onde esse processo aconteceu. Agora sim, temos alumínio! Quanto trabalho…

Outro problema é a alergia. Algumas pessoas têm reações imediatas quando entram em contato com este elemento. Por exemplo, podem ocorrer dermatites de contato (quando o alumínio entra em contato com a pele, pode desencadear manchas vermelhas, coceiras e ferimentos maiores) e distúrbios digestivos (nesse caso, a pessoa não pode ingerir alimentos preparados em panelas de alumínio). Ainda neste último exemplo, apesar de o alumínio não ser tóxico, há uma determinação que estipula a quantidade máxima de ingestão SEMANAL, que é de 1mg por quilo.

O excesso deste elemento na terra traz problemas para a agricultura. Solos ácidos com grande presença de alumínio dificultam a formação e o crescimento das raízes das plantas, consequentemente prejudicando seu crescimento. Assim, torna-se necessário o manejo corretivo daquele solo a fim de corrigir essa acidez – ou escolher outro lugar para o plantio, o que nem sempre é possível.

De toda maneira, o alumínio tem lugar garantido em todas as áreas de nossas vidas. Mantendo sua produção de forma sustentável – ou pelo menos com o mínimo de destruição possível – e reciclando-o, ainda o teremos por muito tempo.